Eu já suportei mais do que podia. Eu já ouvi mais do que devia. Eu já
fiquei calada quando devia ter falado como também já falei quando devia ter
ficado calada. Eu já falei a coisa errada na hora certa, como também falei a
coisa certa na hora errada. Eu já fiquei parada, lembrando de tudo o que me
disseram e chorando por dentro, porque simplesmente eu não podia chorar na
frente de ninguém, eu não queria mostrar que era fraca, eu não queria mostrar o
quanto eu era frágil. Eu já coloquei o meu fone de ouvido e lembrei-me de tudo
o que deveria ter esquecido há muito tempo, e doeu, doeu tanto, bagunçou a
cabeça de um jeito inexplicável, as lágrimas pretendiam sair com toda força dos
meus olhos, mas eu as aprendia lá dentro, eu não as deixava cair. Eu já acumulei
tanta coisa aqui dentro de mim, coisas que eu nunca imaginei guardar e
suportar. Mas cansa, uma hora você explode. E mesmo cansada, mesmo não aguentando mais tanta coisa, você percebe o quão forte foi, por ter aguentado tanta coisa dentro de si. Acumuladas lá dentro e nunca ter as deixado sair. Por
chorar baixinho à noite, sozinha, pra ninguém ver, ninguém escutar. Percebe que
mesmo caindo tantas vezes, teve forças o suficiente para levantar-se e seguir
em frente, mesmo com tudo lá dentro, te matando aos poucos. Percebe que mesmo
tudo desmoronando, acha uma fé grandiosa dentro de si, escondida, lá no fundo,
aquela que você não usou, que ficou guardada para quando você precisasse. E é
por isso, é por isso que você ainda está aí, suportando tudo calada, aguentando tudo sozinha. Porque no fim você sabe, no fundo você sabe que no final você
sempre achará forças para seguir em frente

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